Thiago e Eliza, brasileiros, tomaram a decisão de (re)emigrar em Fevereiro de 2014 para Portugal. “Conscientes da crise no país, mas apoiando-se mutuamente e com um misto de receio e empolgação, acabaram por se mudar com os quatro filhos, em Novembro do mesmo ano". “Acreditámos que poderíamos arrumar trabalho e conseguir seguir com nossa vida”.

Sem grande informação prévia, planeavam encontrar trabalho, uma melhor educação para os filhos e, com o tempo, poder comprar uma casa. Apesar da questão da “legalização” e das dificuldades da crise, tentaram a sua sorte. Pensaram que, por terem um membro da família residente em Portugal, a mãe de Eliza, as coisas seriam mais fáceis.

No entanto, nada foi fácil. Nenhum dos dois conseguiu encontrar trabalho, as informações que obtiveram para inscrever as crianças na escola não foram as correctas e ainda tiveram de “conviver”, durante todo o tempo, em casa de terceiros. Para além disso, o Sr. Thiago teve um problema de saúde, inesperado, acabando por ficar internado durante 20 dias.
“Deixámos tudo para trás acreditando que daria certo, mas aprendemos muito com esta situação que vivemos em Portugal. Aprendemos a não abandonar nosso país de origem a não ser que tenhamos certeza dos objectivos. Também, o trabalho estável e as conquistas que obtivémos não podem jamais ser deixados para trás, acreditando em algo que achamos poder dar certo, ainda mais com filhos e os colocando aos erros dos pais”.

A 20 de janeiro fizeram a inscrição no Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração, da OIM, do qual tomaram conhecimento no Consulado do Brasil no Porto, dando início ao processo de retorno no Centro São Cirilo, entidade parceira da OIM. Optaram por pedir apoio pois não tinham condições financeiras, desejando voltar em família e para junto dos familiares, que os aguardavam e apoiaram no regresso, apesar do “fracasso”. “Hoje vejo que errei e agradeço a Deus que conseguimos retornar graças ao apoio da OIM, pois se não fosse este órgão, não poderíamos retornar todos juntos e sim aos poucos”, diz Thiago.

Thiago e a família regressaram ao Brasil em meados de Abril.
As notícias que recebemos foram boas: já começaram com sucesso a dar um novo rumo à vida e as crianças já estão na escola. Nunca deixaram de estar unidos e por isso hoje sentem-se esperançosos no que o futuro lhes reserva.

O Centro São Cirilo, que em conjunto com a OIM acompanhou este caso, é uma comunidade de inserção criada pelos Jesuítas no Porto que acolhe e (re)capacita pessoas e famílias estrangeiras e nacionais a passar alguma fase temporária de fragilidade social. O Centro São Cirilo colabora com a OIM desde 2009, fazendo parte da Rede de Informação e Aconselhamento. .
 


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